Entenda a Alergia

Com um diagnóstico confirmado de alergia alimentar é normal surgirem dúvidas e preocupações no começo. Confira:

Dúvidas sobre APLV

A nutrição na APLV: como deve ser a dieta de exclusão da mãe e criança?

O único meio de tratamento da APLV é a exclusão total do leite e derivados da dieta. O objetivo global do tratamento com a dieta de exclusão é evitar o aparecimento de sintomas e proporcionar à criança melhor qualidade de vida com crescimento e desenvolvimento adequados.

Geralmente, quando a criança estiver em aleitamento materno, a mãe é submetida a uma dieta de exclusão, podendo a suplementação de cálcio ser necessária.

Ao iniciar a dieta de exclusão, a monitoração apropriada do estado nutricional e a educação continuada de pais e cuidadores são etapas fundamentais para o sucesso do tratamento.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a introdução da alimentação complementar em crianças com APLV deve seguir os mesmos princípios preconizados para crianças saudáveis e deve ser iniciada aos 6 meses de idade, podendo começar aos 4 meses mas nunca antes disso, salientando-se que não há restrição na introdução de alimentos contendo proteínas potencialmente alergênicas (p.ex. ovo, peixe, carne bovina, de frango ou porco) a partir do sexto mês, em crianças em aleitamento materno ou que recebem fórmulas infantis. Deve-se evitar apenas a introdução simultânea de dois ou mais alimentos fontes de proteínas para não causar confusão, caso haja alguma reação. A possibilidade de reação cruzada entre LV e carne bovina é inferior a 10% e relaciona-se à presença da albumina sérica bovina, por isso a carne de vaca não deve ser excluída da alimentação da criança a não ser que haja certeza que o seu consumo se relaciona com piora dos sintomas. O leite de outros mamíferos (p.ex.: cabra e ovelha), fórmulas parcialmente hidrolisadas e fórmulas poliméricas isentas de lactose não devem ser indicados para crianças com APLV. A homologia entre as proteínas do LV e cabra é importante, podendo ocorrer reatividade clínica cruzada em 92% dos casos.

Os leites vegetais não devem ser utilizados por serem inadequados sob o ponto de vista nutricional e bebidas à base de arroz não devem ser usadas para crianças abaixo de 4 anos de idade.

A condução do tratamento dietoterápico dependerá dos resultados obtidos a partir do diagnóstico clínico e nutricional realizado pela equipe multidisciplinar, quando possível.

Na presença de um nutricionista, este pode calcular as necessidades energéticas, macros e micronutrientes necessários da dieta; fazer orientação nutricional individualizada; elaborar cardápio compatível com a idade e realizar educação continuada para familiares e cuidadores, com leitura e interpretação da rotulagem e cuidado com ambientes de risco (p. ex. escolas, praças de alimentação, festas, entre outros). Estudos mostram que o aconselhamento nutricional resultou em melhora significativa do estado nutricional, mostrando o papel essencial do nutricionista no acompanhamento de crianças com alergias alimentares. Mas, na ausência de um nutricionista, o médico deve avaliar e acompanhar o estado nutricional da criança, afinal de contas, os sintomas vão passar e ele tem que cuidar do que vai ficar, a saúde e qualidade de vida da criança.

Referências

1. Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, Guia prático de diagnóstico e tratamento da alergia às proteínas do leite de vaca mediada pela imunoglobulina E. Rev Bras Alerg Imunopatol. 2012; 35(6):203-33.
2. Koletzko S, Niggemann B, Arato A, Dias JA, Heuschkel R, Husby S, et al. Diagnostic approach and management of cow's-milk protein allergy in infants and children: ESPGHAN GI Committee practical guidelines. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2012;55(2):221-9.
3. Lifschitz C et al. Cow's milk allergy: evidence-based diagnosis and management for the practitionerEur J Pediatr (2015) 174:141-150.
4. Hojsak I et al. Arsenic in Rice: A Cause for Concern. JPGN. Volume 60, número 1, 2015, 142-145.
5. ANSES (Agence nationale de sécurité sanitaire de l'alimentation, environnement, travail). Disponível em: https://www.anses.fr/fr/system/files/NUT2013sa0101.pdf. Acesso em 13 de julho de 2017.
6. Canani BR et al.The effects of dietary counseling on children with food allergy: a prospective, multicenter intervention study. J Acad Nutr Diet. 2014 Sep;114(9):1432-9.
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